quarta-feira, 18 de junho de 2014

ALTAS HABILIDADES NÃO SÃO ALGEMAS, SÃO FARÓIS. (Post de ANTÔNIO ÁTHYLLAS) ISTO É UM POST! E um post muito show!

  Não, não acordei extremamente egocêntrica hoje (não mais que o normal, mas enfim....). Este é o 1º post (e espero que o 1º de vários) de alguém que lê o blog e a primeira pessoa a levar para frente aquilo que sempre desejei que este espaço se tornasse: não meu diário particular ou um simples "Reader's Digest" com estudos, reportagens, traduções e informações sobre SD/AH, mas, além isto sim, um espaço de troca de experiências, opiniões, informações, textos, etc., um fórum por assim dizer.

  E fico extremamente feliz de que o primeiro exemplar desta leva (e espero que seja uma leva! Por favor, não desapontem a criança aqui... 'I'm looking at you whoever's reading right now!') é um texto excelentemente escrito, muito relevante e que, pessoalmente, fez meu dia. O Antônio (btw, off topic aqui rapidinho, desculpe-me, mas Antônio, seu nome tem o '^'? Se não tiver, malz ae, p o meu não tem acento mas todos colocam, e eu meio que já desisti...) ok, de volta ao assunto, bem, ele escreveu várias coisas ue sinto e penso mas nunca consegui me expressar suficiente bem, muito menos da forma exímia que ele o fez. E juro que não estou puxando saco nem nada pelo fato de ser o primeiro post de nosso leitor, é que realmente achei show. Mas tirem suas próprias conclusões, comentem, e inspirem-se, as vezes até façam seu próprio post e ele será publicado.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         Cumprimentos a todos,
Sou Antonio Áthyllas, supostamente um adulto com altas habilidades.
A intenção com este post, e agradeço a Flávia permitir esse espaço, é abordar as Altas Habilidades pelo que se observa, de uma maneira geral quanto a forma com que é tratada essa questão, como também ver essa condição de Altas Habilidades como uma verdadeira riqueza.
À medida que passa o tempo, na vida de uma pessoa com altas habilidades desassistida revelam – se as fortes incongruências entre o que essa pessoa é e o mundo em que ela vive.
O resultado? Pessoas solitárias, não solitárias mas mal compreendidas, sem espaço valorativo, atrasos acadêmicos, negação de identidade, baixa – estima, frustração, depressão, busca até de situações perigosas pela não – ajuda.
Creio que Altas Habilidades ainda é um assunto distante do cotidiano escolar.
E aquela que era para ser pelo menos um ponto de apoio no aspecto respeito, a escola, é, por vezes, o primeiro ponto de massacre do aluno com altas habilidades: pelo insucesso escolar, fruto da não assistência, recebe esse aluno em peso notas baixas e, daí, de parentes títulos de “desleixado”, “anormal”. Ora, como poderia ser o contrário, se não lhe foi permitido mostrar seu potencial?! Esta situação é um caso – modelo. Felizes aqueles cujas famílias e a própria escola, mesmo sem pleno conhecimento de causa, se mostram compreensíveis e dispostas a ajudar.
Vemos avanços. Reportagens, blogs, encontros. Desde que sensatos, são formas valiosíssimas de dar a conhecer o assunto e o drama de quem tem que calar seus talentos. Precisamos, porém, avançar mais.
No entanto, falemos do que afinal de contas mais importa: o bem – estar das pessoas.
Isso deve ser, primeiro, uma atitude de quem tem altas habilidades. Valorizar a sua vida, a riqueza do seu talento. Em segundo lugar, a pessoa com habilidades crer que não está sozinha. Contar com quem a compreende e a respeita. 
Sou um adulto supostamente com altas habilidades. De toda maneira, sendo ou não sendo, digo que já tenho uma alegria: conhecer, por experiências pessoais, o caminho difícil da não compreensão. Já pedi muito ajuda, já tive esperas ansiosas por um email que pudesse me dar uma resposta de compreensão e apoio. Tive momentos de intensa tristeza. Os arranhões das quedas, das lutas, hoje fazem também com que eu procure ser mais forte, e, mais que esperar pelos outros, acredite em mim. 
Esta postagem é uma forma de respeito para com as pessoas com altas habilidades que, mesmo em dificuldades, têm o desejo de serem felizes.
Toda pessoa pode contribuir para o bem de outrem.
Acredite! Altas habilidades não são algemas. São faróis.

terça-feira, 27 de maio de 2014

O Blog - Quem? Como? Por que? Onde? Qual o sentido da vida? 42

Então, a esperta aqui foi descobrir ontem que havia um espaço para descrever o Blog (isso dps de alguns anos, é muita perspicácia para uma pessoa só, não?). E comecei a escrever, só que, e novamente o primor da inteligência aqui, achei que eram 500 palavras, e na verdade eram 500 caracteres (duh). Bem, como eu escrevi um pequeno testamento para descrever o objetivo deste Blog e só pude usar praticamente um parágrafo, também como não posto nada há algum tempo e reciclagem está na moda, este post é o que escrevi na integra sobre este espaço:


  'Blog para adultos identificados com Altas Habilidades/Super dotação, tanto para aqueles que foram identificados quando crianças ou jovens, quanto para os que foram identificados já na fase adulta da vida. Para ambos a experiência causa conflitos emocionais internos, confusão, dúvidas, mas também alívio de descobrir o porquê do sentimento de diferença e muitas vezes incompreensão de seus pares. 



  Obviamente a experiência e as características são únicas para cada um, mas a intenção deste espaço é de ser um ambiente seguro de troca, também ter o sentimento de que não está sozinho, obter nova informações, compreender porque muitas vezes nos sentimos como E.T.s no meio de todos, verificar que comportamentos, atos e pensamentos antes sem sentido - de acordo com a base de conhecimentos e padrões estabelecidos pela sociedade - fazem todo o sentido quando descobrimos quem somos, pois ter AH/SD não é uma 'doença', nem um atestado de superioridade em relação ao outro, não é motivo para o SD ou qualquer outra pessoa achar que isto o torna automaticamente o novo 'Einstein' e que tudo será ridiculamente fácil durante sua vida, muito pelo contrário. É devido a estes tipos de conceitos (ou pré-conceitos) que os AH/SD são muita, se não a maioria das vezes, negligenciados, discriminados, cobrados como se fosse um dever ser bem-sucedido em tudo na vida, e quando isto obviamente não acontece, o AH/SD sente-se frustrado, constrangido e como se tivesse fracassado, levando à sérios problemas emocionais.   Também, devido à falsa noção de que se são SD dão conta de tudo sozinhos, não obtém o apoio necessário para atingirem todo seu potencial e assim são 'sub-aproveitados'. 



  Enfim a proposta é que aqui venha a ser um fórum para trocar experiências, idéias, novos conhecimentos sobre o assunto, para desmitificar certas noções equivocadas, entre outras coisas, já que a única regra é não insultar, menosprezar, ou julgar ninguém. Espero também que, não só pessoas identificadas com AH/SD participem, mas familiares, amigos, conjugues, educadores e mesmo pessoas que se interessam pelo assunto e queiram se aprofundar. 



  Todos os comentários feitos são e serão postados, a moderação só teve de existir pois, no início, algumas pessoas estavam usando o espaço para insultos e comentários maldosos. Críticas construtivas (ou não) são muito bem-vindas, assim como sugestões de aprimoramento, questionamentos, pontos-de-vista diferentes e mesmo polêmicos, já que a intenção é também de discutir vários assuntos sobre o tema, mesmo porque a controvérsia sempre tem seu lugar. Repetindo, o que não será tolerado são insultos, demagogias preconceituosas e coisas do gênero. Sejam todos bem-vindos, e espero que aqui seja para todos "um lugar legal para dançar, e se escabelar...tem que ter gente legal, tem que ter um som legal e ter, cerveja barata...um lugar onde as pessoas sejam mesmo a f****, um lugar em que a pessoas sejam louca, e super chapadas...que gostem de beber e falar...e curtam Syd Barret e o Beatles. Um lugar e um alguém que tornarão-me mais feliz, um lugar ondes pessoas sejam loucas, e super chapadas! Um lugar do Cara**o!"  - Cortesia de Raulzito...



  Bora trocar ideia aí galera! Só eu estou fazendo os posts por enquanto, mas quem animar é só colocar nos 'comentários': ISTO   É UM POST, aí eu publico com o nome do(a) autor(a). Esta, afinal, é a ideia, a troca das vivências para que nos identifiquemos com uns aos outros e descobrir que não estamos sozinhos, e que existem pessoas por aí com as quais podemos conversar sem nos esconder ou sentirmos inadequados, e nem ter o sentimento que estamos falando e o outro está com aquela cara de paisagem (e todo mundo aqui já teve esta experiência, com c-e-r-t-e-z-a), aqui é para escutarmos uns aos outros e tentar compreender essa coisa que, querendo ou não, admitindo ou não, e mesmo antes de haver uma identificação formal, nos torna diferentes e nos molda em todo os aspectos de nossas vidas.'



É isso, esta é a ideia geral. 



Tenho lido e relido quase todos os comentários e gostaria de responder e/ou comentar alguns, porém o farei em forma de post, só estou criando coragem para deixar de procrastinar... Quando eu fizer isto, citarei o autor e colocarei o comentário no post como referência. Caso alguém não se sentir confortável com isso, é só mandar um comentário que eu retiro a citação. Obviamente não farei isto com todos os comentários, porque né? 



Vou voltar também ao post sobre preconceito, especialmente depois que recebi este comentário do Robson Santiago: 

"Esse tipo de informação só serve para nos afastarmos uns dos outros. Para os pretensiosamente superdotados existem dois tipos de pessoas que são: eles e os intelectualmente inferiores. 


A inteligência humana é infinitamente diversificada e complexa demais para que se trace um perfil em um texto de poucos parágrafos, apesar de muitos superdodados de identificarem com ele. Não sabem que uma característica importante de indivíduos com inteligência "superior" é o senso crítico? "


O comentário foi publicado no post "Características Superdotados - Gifted Universe" sem nenhuma alteração ou moderação. Claro que cada um tem direito à sua opinião. Porém, declarar enfaticamente que a superdotação é uma "pretensão" e que o objetivo das informações do Blog (e aparentemente de todas as fontes oficiais das quais citei vários estudos, teses, artigos e reportagens) é nos diferenciar em uma categoria superior dos demais é um pouco de falta de "senso crítico" não? E ninguém aqui tem o objetivo de tratar detalhadamente da inteligência humana, mesmo porque se, quem se acha no direito de chamar pessoas que por lei são consideradas como portadores de necessidades especiais (isto mesmo, para quem não sabe, o que acredito ser poucas pessoas que leem este blog, não só deficientes físicos e mentais estão nesta categoria, os 'portadores' de AH/SD também) de pretensiosas por tentar compreender esta diferença que afeta nossas vidas em vários, senão todos os aspectos, deveria ler mais o que alguns parágrafos para saber que as AH/SD vão bem além da inteligência lógica - matemática - espacial. E que, como sempre deixei claro desde o início deste blog, não sou uma profissional ligada a área de psicologia, psiquiatria, neurologia, ou nenhuma outra área oficial de estudos sobre o assunto. Sou alguém e foi identificada quando criança e hoje, adulta, me vejo lidando com problemas e características que tem absolutamente tudo a ver com as AH e queria criar um espaço para trazer e receber informações de pessoas que se identifiquem, se interessem ou mesmo tentam compreender alguém próximo de si. Talvez se o Robson tivesse lido realmente o que é escrito aqui, ele iria notar que a palavra 'superior' nunca aparece neste espaço, pois quem compreende ou quer compreender verdadeiramente as AH/SD saberia que a palavra mais usada aqui é 'diferença'. 

 Portanto Robson, você está convidado, se realmente quiser ter uma opinião pelo menos um pouco informada sobre o assunto, a ler os outros posts deste Blog. Se este espaço não lhe interessar, mas o assunto sim, o Google está aí para isso. Sinta-se sempre bem-vindo aqui, que, como eu disse na introdução acima, é um espaço de compartilhamento, de informações, porém, não de julgamentos precipitados.

É isso aí galera, inté a prox.!

terça-feira, 30 de julho de 2013

Descoberta da(s) AH/SD

Ei galera, td bem?

Então, estava lendo o comentário da Ana Exposto e percebi que, apesar de descrever algumas experiências minhas sobre  AH e sobre a superdotação em si, sei que tem algumas pessoas que leem o blog ou já o leram,  e somente enquanto adultos foram descobrir (ou pelo menos "dar nome aos bois") as AH. E como no meu caso eu fui 'diagnosticada' (pelamordedeus alguém dê uma sugestão para um termo melhor que esse, pq eu nunca sei como denominar isto... 'diagnosticada'? 'informada'? 'amaldiçoada'? osso... HELP!) aos 3 anos, sei que é uma outra experiência para quem se sente diferente durante grande parte da vida e só na maturidade descobre o porquê...

Então gostaria de pedir para quem passou, ou está passando agora por isso, descrever, contar um pouco sobre como é, o que pensa e sente sobre essa 'descoberta' ou conclusão. Pode se prolongar à vontade, quem já leu algo aqui sabe que não tenho problema algum com prolixidade, devaneios, textos-bíblia...

Eu pensei em pedir tanto para quem descobriu as AH enquanto adulto(a), quanto quem, como eu, sabe desde a infância, para dar seus depoimentos e depois eu os coloco, justapondo-os em um post exclusivo sobre isto. Tipo, falando como foi feita a descoberta, sozinho ou com médico, professor, psicólogo, etc. Como você se sentiu. Como e se contou à família e  amigos, a reação de todos. Se mudou (acho que sempre muda algo né...) alguma coisa de maneira extremamente significante. Depois da descoberta, é isso aí, foi só isso uma descoberta e pronto, ou você deseja continuar buscando materiais relevantes sobre o assunto. Se descobriu na infância, sofreu preconceito (em qualquer idade)? Se somente após a fase adulta, mesmo sem saber o porquê, sofria e/ou sofre preconceito, tratamento desigual, etc?  Tem ou teve amigos (não online) tb com AH? Tipo, td basicamente (eu sei, sou curiosa...), Mas é porque, apesar de adorar falar de mim mesma hehehehe, desde o início deste blog eu repito que a intenção sempre foi colocar pontos de vista diversos, ter uma discussão aberta sobre o assunto com quem possui AH, com quem é parente, amigo, namorado de alguém com AH, e ainda com pessoas que simplesmente tem interesse sobre o assunto. E eu procuro publicar todos os comentários. Sei que é estranho falar isto e ter a moderação de comments. Mas é que no início do blog os comentários eram livres, era só chegar e postar... Mas aí começou a chegar moleque achando que tava na casa da sogra, passou a insultar, e parada de cunho pessoal mesmo, começou a querer avacalhar... Aí lindamente a democracia foi pro saco e virou 'quemmandaaquisoueudálicençaaa'!!! Mas, utilizando o princípio do alarme de carro: adianta zica, mas impõe certo receio, desde que coloquei a moderação não teve mais ninguém enchendo o saco e até hoje não deixei de postar um comentário que seja. Espero que entendam, não é tipo criticou to deletando; criticas, questionamentos, correções são bem vindas(os), mas com respeito né....

Não disse que de prolixidade eu entendo?


segunda-feira, 10 de junho de 2013

Caligrafia...

Ei galera, td bem? Então, ainda vou terminar o post abaixo, mas enquanto isso, eu tenho uma dúvida, e realmente gostaria de seu 'insight'.

Eu não tenho uma 'letra' própria. O que quero dizer com isso é que desde fui alfabetizada nunca tive uma caligrafia consistente. Até hoje não sei se as pessoas escolhem seu tipo de letra ou se é algo automático. Eu sei que eu sempre mudo meu estilo, a inclinação, o tamanho, a grafia em geral. Não pesquisei nada sobre isto, mas vou começar, enquanto isso gostaria de saber se mais alguém tem esta característica. E o que vocês acham que pode significar...

Bem é isso, se alguém tiver alguma opinião, manda ver!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Preconceito...

 Por que é que quase sempre quem tem altas habilidades têm a inibição de se declarar como tal? Por que existem campanhas e campanhas para pessoas com deficiências, para que elas não sofram preconceito, para que o mundo as aceite como elas são, e elas próprias se aceitem como são, e para os superdotados sobra somente aquele cantinho na sua própria mente que sabe o que eles são? Por que só é preconceito se a inferiorização acontece com os deficientes mentais e físicos, e quando uma psiquiatra, um médico, um psicólogo, um professor, uma pessoa aleatória qualquer, ou mesmo um comentário anônimo na internet acha que é normal se referir às altas habilidades como "essa bobeira", ou que "isso não existe"; ou que se alguém resolver falar que é superdotado, não porque 'acha legal', mas porque vive com isso diariamente e sabe que não é só um rótulo, mas algo que, mesmo que você tenha descoberto recentemente, ou conviva com isto desde que se entende, lhe define em todos os aspectos da sua vida, este alguém é 'egocêntrico e está se achando'?

 Por que não existem campanhas para quem possui altas habilidades? Onde está o incentivo para quem corre o risco de não concluir os estudos não porque não consegue acessar fisicamente o espaço escolar ou universitário, não porque não consegue enxergar, ouvir, falar, etc. Mas porque 'funciona' de maneira diferente, e precisa de incentivo extra-curricular, ou de pular uma série ou uma matéria para que não perca o interesse, ou que possa realizar matérias de forma simultânea para avançar e chegar a atingir todo o seu potencial.

 Por que é que sentimos que devemos ter vergonha de falar o que somos, para nossos pais, amigos, namorados, professores? De onde vem essa noção de que ter altas habilidades é algo fácil de lidar e portanto quem possui não precisa de ajuda? Ou que é 'bobagem' achar que isto nos torna diferentes? Não sei se vocês se sentem assim, eu sei que eu sim, muitas vezes. Não sei se a palavra é vergonha, mas enfim, eu não me sinto confortável em dividir a informação de que tenho altas habilidades, e não sei porquê, não sei de onde vem esse sentimento de que é errado admitir algo que eu sou, algo que não é ruim. Às vezes eu acho que ao falar isto eu farei a pessoa com a qual dialogo se sentir inadequada, e ao falar sou eu que acabo me achando inadequada. Talvez meu medo é que, eu sei que a super dotação não é de maneira ALGUMA um atestado de superioridade, apenas de diferença, porém, eu não sei se a outra pessoa sabe disso... E as experiências que tive ao falar que tenho altas habilidades para outros não foram boas no geral. Na minha família próxima a maioria sabe e não é nada demais. No entanto, costumava ser muito embaraçoso quando eu era mais nova aquela história de "Nossa! Ela foi alfabetizada em tal idade! E aprendeu a falar tal idioma em tal idade! E é muito inteligente" e whatever... Grandes coisas se isso não me levou a atingir meu potencial, e não levou mesmo! Se antes eu sempre era a mais nova nas salas de aula, hoje em dia eu sou a mais velha... Sério, eu sou A veterana do meu curso, não conheço mais ninguém que tenha entrado antes de mim. E antes ou agora eu não sou menos ou mais 'superdotada' (ok, talvez menos, sabe como é, na faculdade os neurônios tendem a se dissipar....).

 Com alguns amigos que eu sei que possuem altas habilidades (mesmo que eles não saibam ou não gostem de admitir) é mais fácil conversar sobre o assunto. Mas mesmo com meus pais as vezes é complicado.

A completar...

sábado, 22 de outubro de 2011

Resposta a comentários...

 Olá a todos! Sei que continuo negligenciando o Blog. E o pior é que nem é falta de tempo, acho que é falta de inspiração mesmo. Acho que tenho resistido um pouco à vontade de tornar isto aqui meu diário particular, pois este (apesar de ter acontecido em outros posts inúmeras vezes, e provavelmente irá continuar a acontecer hehehe) não é o objetivo deste espaço.
  Desta vez gostaria de tirar um tempo para responder, e ‘comentar’ alguns comentários. Especificamente os comentários do  Cleber Alex, da Nina, da Dani e da ‘anônima’ que comentaram o post “Liberdade”.
  Primeiramente, obrigada novamente pelos elogios ao Blog. Pelo o que venho lendo, muitas pessoas estão se identificando com as situações e com o que escrevo. Acho que especificamente para os superdotados é sempre bom saber que não estamos sozinhos por aí, com nossos pensamentos e reflexões infindáveis, saber que não somos ‘freaks’ ou de que nada adianta procurar alguém com problemas ou ideias semelhantes. Eu sei que para mim foi uma bela surpresa (e continua sendo) ver que nem sempre o que eu digo (no caso escrevo) será recebido com um “ahã” e aquela cara de que não entendeu absolutamente nada ou na segunda frase a pessoa já se perdeu em devaneios e nem prestou atenção. Todos sabem que é bom ser ouvida, mesmo que não haja reciprocidade, haja compreensão.  Mas enfim...
  Cleber realmente é uma sensação de alívio quando você descobre que o que lhe tornava diferente dos outros não seria algo que o isolaria, é mesmo ‘encontrar um velho amigo em uma festa esquisita’ hehehe.... Não sei como deve ser descobrir a superdotação depois de já adulto, deve ser algo meio assustador, mas que ao mesmo tempo leva a uma calma nova, deve tornar a inquietação um pouco mais tolerável ao saber ‘dar nome ao boi’ que vive em nossa mente. (E sim, a conta do Google curte cortar a onda hehehe!). No seu comentário acabou que não apareceu seu MSN, mas também avisando a algumas outras pessoas que me passaram o delas, eu sou ridiculamente preguiçosa em relação ao MSN, não entro tem mais de um ano, mals ae... Mas obviamente tem muita gente aqui que entra, então se você quiser passar novamente... E se você animar de contar como foi esta experiência de descobrir a superdotação já adulto, eu curtiria muito saber!
  Ei Nina eu também  VIVO na ‘última hora’, procrastinação deveria ser meu sobrenome hehehe! E olha, meus pais também acham que a superdotação é só algo que faz parte da minha personalidade e vida, mas que não é nada de mais, e que não me define. Minha mãe achava (e acha) que lidar com o assunto iria me tornar completamente egocêntrica. Ela nem fala superdotada, ela fala que eu sou ‘diferente’ heheehe... Como você disse nossas histórias são diferentes, eu nem imagino como seria ser diagnosticada com Transtorno Bipolar e ficar tomando remédios que poderiam até (não sei, você me diga) chegar a inibir um pouco a superdotação, ainda bem que esta fase passou!  E olha, realmente, de comum, a grande maioria das vezes, que tem SD não tem NADA! Como eu disse, meus pais acham que a SD não me define, mas no meu modo de ver é justamente isto que ela faz. Eu sou definida pela SD porque tudo que já fiz e faço na vida, tem a ver com meu modo de pensar e ver o mundo, e isto tudo é como se passasse por uma lente, que é a superdotação. Se eu não fosse SD provavelmente não iria começar a ler e escrever com 3 anos, e não imploraria aos meus pais para começar a aprender inglês com 5, e por conseqüência não iria direcionar meus interesses na área de Política Externa, portanto acredito que quem possui SD é sim definido por ela, todas as dificuldades, os obstáculos, a falta de compreensão, e claro, os benefícios da SD definem nossas vidas e relações com outros. É como se uma pessoa cega falasse que não iria deixar a cegueira lhe definir. Ué, claro, ela pode decidir que não irá deixar de viver sua vida devido a este fato, mas o modo como ela irá viver é sim definido por esta característica. Acho que o mais difícil é se aceitar como sendo diferente, e decidir como lidar com isso, como você disse, as pessoas percebem sua diferença, mas também enxergam como isto lhe torna especial, e o fato delas perceberem que você não enxerga o mundo como elas não te deixa mais grilada, e é isso o máximo, acho, que a gente pode fazer perante aos outros que não são SD, encontrar terreno comum até onde conseguimos, e aproveitar as diferenças para dar um ‘toque especial’ (total livro de auto-ajuda, eu sei kkkkkkk) nas situações! Ah, e sei que tem um ano que você escreveu o comentário, então aproveite o status de veterana agora e curta muuuito nas calouradas!!!  (Eu sei, porque agora eu sou a ‘veterana’ mais veterana de todos no meu curso hehehehe!!!! Todo mundo é meu calouro!!! Ainda bem que na minha facu não existe jubilação hehehehe) E valeu pelas dicas de sites, muito bacana!
  Dani a maioria dos artigos que leio são de sites em inglês ou francês, não sei se você se importa... Mas em português você pode procurar artigos ou livros da Dra. Helena Antipoff, pioneira no Brasil sobre o assunto, tem o site www.altashabilidades .com.br que é legal, o site da Mensa no Brasil: www.mensa.com.br, este artigo da Nara Joyce Wellausen Vieira no site: “periodicos.udesc.br/index.php/linhas/article/viewFile/1270/1081” que muuuito bom também! E no mais, pergunte ao seu namorado como é para ele ter altas habilidades, vai ser muito legal ele ver que você se interessa pelo modo como ele enxerga o mundo, só de ele saber isso você já estará rompendo um obstáculo importante (nossa hoje eu estou super colunista de auto-ajuda meeesmo hehehe), mas sério, é sempre bom saber que a pessoa com quem você está não ignora nossas diferenças (mesmo que elas possam irritar ao extremo nossas caras-metade...) E aqui no blog eu sempre coloco a fonte da qual eu tiro os artigos que traduzo, então neles também você pode encontrar muita coisa!
Anônima também acho que nós somos muito parecidos entre nós, muito mais do que os ‘normais’ entre eles,  é bizarro como às vezes rola a identificação entre superdotados, eu não sei vocês, mas eu consigo, conversando, identificar outros SD, e quando isto acontece eu não consigo apagar o sorriso do meu rosto, fico até meio retardada, porque é muito bom encontrar outra pessoa que, mesmo que ela não saiba que é SD (como é o caso de todos meus amigos que são),  tem a forma e a velocidade de pensamento que você, até mesmo quando a área de altas habilidades não é a mesma que a sua. Eu também, como você, sou  generalista, acho que por isto você teve a impressão de estar ‘se lendo’ hehehe, é mesmo estranho, mas é legal! Ah, e eu também uso o termo ‘diagnosticada’ apesar de também achar que parece doença, queria saber um termo melhor... Idéias??? E olha, você falou que nunca conviveu com outros SD, eu convivi e convivo com poucos. Tinha um amigo que eu ‘encontrei’ quando eu tinha 15 anos e ele 14, meus pais queriam de todo jeito que eu acabasse com a amizade, porque ele (acho que por não saber que era superdotado, e como forma de ‘acalmar’ a mente, e de lidar com essa insanidade que é nossa forma de raciocínio) usava todos os tipos de droga humanamente possíveis, eu nunca abri mão dessa amizade na época. ‘Tomar banho’, demorou quase 10 anos para achar novamente alguém tipo eu, e meus pais queriam que eu deixasse para lá?? Jamais! Acabamos perdendo contato, mas quando nós dois sentávamos, só a gente, para conversar, era meio mágico. Há uns seis anos conheci um amigo de um primo, e que hoje é um dos meus melhores amigos, e lentamente fui descobrindo que ele também tinha altas habilidades, neste caso a descoberta não foi instantânea porque ele é ‘especialista’, a área dele é física (e afins), mas mesmo assim tem mais a ver com o ‘processo’ do pensamento, e é até engraçado, quando nós estamos com outras pessoas ligamos o ‘modo normal’ de conversação, quando estamos sozinhos é hora de viajar! E recentemente (coisa de um ano e meio) conheci uma amiga na faculdade (que também ignora sua SD). Ou seja, eu recomendo fortemente que você, sei lá, tente descobrir se existe algum grupo de SD na sua cidade, ou pegue o msn de alguém daqui do blog e veja se moram na mesma cidade, porque por mais bacana que seja ‘descobrir’ a galera, seja aqui no blog, seja em outro site, ou rede social, encontrar alguém cara a cara que tenha o mesmo ‘chip de processamento’ semelhante ao seu é fantástico! Eu sou de BH, de onde você é??? E se tiver tempo leia mesmo o blog, ou mesmo os outros sites sobre altas habilidades, valeu pela presença aqui!!!
E novamente obrigada a todos que lêem, a todos que ‘seguem’, até hoje acho meio surreal que alguém esteja lendo isso aqui... Vou tentar responder ou ‘comentar’ os comentários aqui mais freqüentemente!!! Abraço a todos!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Night Owls

Gente, eu sou uma dona de Blog relapsa... Vcs obviamente perceberam isto já que o último post foi feito há um ano mais ou menos... Não quer dizer que abandonei o Blog de vez, ou que nunca mais escreverei. Mas minha vida, por consequência minhas atividades mentais, ficou estagnada neste último ano por motivos com os quais não tenho intenção de entediá-los.

Tentei liberar todos os comentários, os bons (em grande maioria ainda bem uhu!) e os críticos, que sempre falei, são bem vindos desde que sejam respeitosos e não imbecis (como diz minha mãe: o blog é meu, o conceito de imbecil é meu, e tenho dito...).

Gostaria de agradecer imensamente a leitura de todos, dos que gostaram e dos que não gostaram, e principalmente dos que postaram comentários, e claro os que começaram a seguir o Blog, mesmo que desde Agosto do ano passado não tenha havido nada diferente para seguir, ainda sim. Sei que estou em falta enorme com estes, e no dia que minha cabeça estiver funcionando propriamente procurarei responder todas as perguntas, dúvidas, pedidos, críticas, sugestões e etc... E agradecer novamente os elogios recebidos pelo Blog, meu ego agradece, sério, há alguém que não curta ser valorizada? Valeu, de coração! E repetir que, pow, quem tiver interesse de procurar e interagir com pessoas que se interessam pelo tema das altas habilidade, sejam eles(as) próprios superdotados, ou sejam parentes e amigos de superdotados, olhem nos comments, troquem ideias no blog ou fora dele, olhem a lista de seguidores. Como eu sempre deixei claro desde o início, não tenho formação alguma na área de psicologia, neurologia, educação, etc... Sou 'leiga' no assunto. Sou só uma pessoa que possui altas habilidades e sentiu um vácuo de comunicação para estas pessoas em particular. Tudo que já falei aqui foi a partir de experiências pessoais, ou traduções de artigos acadêmicos (QUE NÃO SÃO DE MINHA AUTORIA).

Estava, e ainda está rolando um bloqueio da minha parte, não só em relação a este blog. Mas em tudo na minha vida. Sinto como este último ano tenha sido um rascunho de muito mal gosto. Mas gostaria de tentar voltar a escrever aqui, ainda é uma das poucas coisas que me fazem sentir bem. Saber que existem pessoas similares, com relativamente os mesmos sentimentos e problemas, dúvidas, questionamentos existenciais.

Este post é sobre o texto de Satoshi Kanazawa e Kaja Perina: "Why night owls are more intelligent", cujo original pode ser encontrado em: http://personal.lse.ac.uk/KANAZAWA/pdfs/PAID2009.pdf . O texto basicamente se refere ao por quê as pessoas com ritmo circadiano diferente, que tendem a trocar o dia pela noite, são mais inteligentes.

Primeiramente vou traduzir o abstract: " A origem dos valores e preferências é um problema teórico não resolvido nas ciências sociais e comportamentais. A 'Savanna–IQ Interaction Hypothesis' sugere que os indivíduos mais inteligentes são mais propensos a adquirir e sustentar valores e preferências evolucionariamente novos, do que indivíduos menos inteligentes, mas a inteligência geral não possui efeito na aquisição e sustentação de valores e preferências evoluvionariamente familiares. Indivíduos podem muitas vezes escolher seus valores e preferências mesmo a despeito de predisposição genética.
Um exemplo de tais escolhas em relação às restrições genéticas é o ritmo circadiano. Pesquisas sobre etnografias de sociedades tradicionais sugerem que atividades noturnas eram provavelmente raras no ambiente ancestral, portanto, a 'Hipótese' predizeria que indivíduos mais inteligentes possuem maior propensão a serem noturnos do que indivíduos menos inteligentes. A análise do 'Estudo Longitudinal Nacional da Saúde Adolescente (Add Health) confirma a predição."
 
Eu sempre tive problemas com atividades matutinas. A imensa maioria das pessoas que conheço me acha extremamente preguiçosa porque depois dos 8 anos de idade, sempre acordei depois de 11h. Mas é porque essas pessoas assumem que eu durmo no mesmo horário que elas: entre 22h e 24h, o que não é verdade. Acho que o mais cedo que já consegui dormir depois desta idade, por um período prolongado de tempo, era 1h da manhã, mas o meu normal mesmo é dormir entre 3h e 4h da manhã. Estudei no período da manhã (que começava às 7h) até os 13 anos, e sempre chegava atrasada, com sono, ou faltava às aulas, isso quando não acordava, trocava de roupa, ia para esquina de cima da minha casa e esperava até dar 7e30h, que era o horário que minha mãe saia para trabalhar, e voltava para casa para dormir. desnecessário dizer que quase sempre ficava a um fio de tomar bomba por causa de faltas (que não necessariamente eram só pelo motivo do sono, como muitas pessoas superdotadas por aí sabem...). 

Tive que trocar para um colégio que possuía o ensino médio na parte da tarde, e até hoje, na faculdade, estudo no período vespertino. Meu ritmo circadiano sempre foi, no mínimo, diferente. Teve um período, quando estudei a noite, durante um ano, que eu dormia às 7h e levantava às 17h. Quando minha 'cefaléia em salvas' voltou ano passado, meu ritmo se alterou novamente, aí eu passava (e ainda passo) dias sem dormir. E não digo aquela situação de deitar na cama e ficar rolando sem conseguir dormir. Eu nem passo perto da minha cama, tem vezes nas quais ela fica arrumada do mesmo jeito por 3, 4 dias direto. Tem semanas nas quais eu fico de segunda a tarde até sexta de manhã acordada, aí na sexta eu vou dormir e fico direto até o sábado. Minha mãe quase fica doida, me fazendo prometer: - "Hoje você vai dormir né?". Óbvio que não adianta prometer uma coisa que não tem como fazer. Eu vou dormir na hora que vier o sono suficiente para dormir...

O pior é explicar isso para pessoas 'normais', que como eu disse, acham até hoje que eu sou preguiçosa, que é só colocar um alarme, e "tentar mesmo", que eu consigo alterar o ritmo circadiano. Nem com um médico, neurologista, renomado, e com uns 200 anos, falando, minha mãe consegue aceitar. Ele tentou explicar para ela que tem gente que é assim, que tem um ritmo circadiano 'muito doido'. Ele citou o caso de uma jornalista americana que passa duas semanas acordada, e depois dorme três dias direto. É bizarro para os 'normais'? É, mas existe, e não é cafeína de manhã e chá de camomila à noite que vai alterar algo que tive minha vida inteira. E não sou mais ou menos preguiçosa que ninguém. Quando durmo às 3h ou 4h e acordo 11h ou 12h, estou dormindo as mesmas 8h que todo mundo, mas em um horário diferente. Quando passo 3 dias acordada e depois durmo 24h direto, estou dormindo as 8h por dia que deveria ter dormido nos últimos três dias, mas de forma condensada...

A introdução do texto de Kanazawa e Perina (2009) questiona de onde surgem os valores e as preferências humanas. A partir daí elas citam duas correntes. A primeira, da psicologia evolucionária sugere que nosso cérebro foi feito e adaptado para o ambiente primordial ("aproximadamente da Savana Africana durante a era do Pleistoceno").....

Então galera, depois continuo...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Superdotados e Drogas - Parte 1

E ai galera, pra variar passei muito tempo longe daqui... Não esqueci de responder a Gy e o Cleber não, quero responder sim, iria fazer isto amanhã, mas depois de um refúgio desta cidade maldita no sítio, sem Internet e sem telefone (graças...), e ganhando mais faltas na facu do que tudo, cheguei hoje e já me informaram a infeliz notícia de que tenho prova na terça de uma matéria da qual assisti um total de MEIA aula, e li um total de ZERO textos, ou seja, já estou super bem preparada, nada para se preocupar....

Resolvi fazer este post pelo o seguinte: sou hiper fã de rock, principalmente rock clássico, desde Elvis, Bill Haley, Jerry Lee Lewis, aí vai Beatles (também, não gostar de Beatles é igual dizer que não curte chocolate, só doido...), Stones, Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Doors (Jim Morrison is GOD, junto com o tio Nietzsche), Velvet Underground (piro com Velvet!!), Pink Floyd, passando pelo Southern Rock com Creedence e Lynard Skynard, ao início do Metal (reza a lenda, eu particularmente não concordo) com o Led, do punk dos Ramones e dos New York Dolls, AC/DC, Queen, chegando ao último estágio, o Grunge com Nirvana e Pearl Jam (Eddie Vedder is a Semi-GOD). Mas aí no meio rola um Michael Jackson (ahhh minha infância dançando Black o White, pode zoar, eu sei...), um Raulzito, uma tropicália básica, um Vinícius, um Chico, um Caetano, uma Elis, uma Nara, um Tianastácia (uhu Belzonte!!!), um Rapa, uma Amy Winehouse, etc...

Esse histórico todo do meu gosto musical (será que tem alguém lendo ainda??) é pelo seguinte, Jim Morrison, o Jimi Hendrix, a Janis Joplin, o Brian Jones (um ex-guitarrista dos Stones), Kurt Cobain, Robert Johnson (aquele Bluesman que reza a lenda vendeu a alma ao diabo para ser o melhor violonista e-v-e-r), entre outros, parece que são mais de 30 artistas que morreram com 27 anos. Mas o ponto aqui não é a idade que eles morreram, o ponto é que estes que citei são pessoas que, particularmente, considero superdotados na área musical, e todos mexiam com drogas, e a maioria morreu por causa de overdoses ou problemas decorrentes das drogas.

Pequena aulinha de história, se você já conhece as histórias pule para o próximo parágrafo. Janis Joplin, a jovem branca com voz de negra (ou, como eu penso, a voz de um ser sobrenatural, no bom sentido...), a Janis achava que Whisky era água (na verdade sua bebida preferida era o Southern Comfort que é tipo um Whisky frutado e com sabor de especiarias), e a droga de escolha da Janis era a heroína, ela morreu de 'overdose' acidental, mas falam que na verdade foi um carregamento de heroína que foi vendido adulterado (o famoso bad batch), e que várias pessoas morreram na mesma noite que Janis. Jim Morrison, vocalista do The Doors, também achava que Whisky era água, não tinha droga favorita, o que viesse era lucro, reza a lenda que morreu de overdose de heroína, mas rola uma teoria da conspiração devido ao fato dele ter medo de agulha entre outras coisas (google it), ele era fascinado com a morte ("break on through to the other side" "this is the end, my only friend, the end"). Jimi Hendrix dito (pelo menos por mim) o melhor guitarrista da história, mesmo histórico dos anteriores, muito álcool, drogas e talento juntos, morreu engasgado pelo próprio vômito depois de ter ingerido vários comprimidos com vinho. Kurt Cobain, vocalista do Nirvana, tido como porta voz de uma geração, papel com o qual nunca se sentiu confortável. Lutava contra a depressão e contra o vício em heroína, havia tentado suicídio, mas foi impedido pela polícia que o encontrou em um quarto com uma arma e uma garrafa cheia de pílulas, fugiu de uma clínica de reabilitação, voltou para sua casa em Seattle, e se suicidou com um tiro na cabeça, deixando o bilhete: (é uma carta longa, então os highlights) "Eu não tenho sentido a excitação de ouvir, bem como criar música, ler e escrever, por muitos anos... Algumas vezes eu sinto que deveria 'bater ponto' antes de entrar no palco, e eu já tentei de tudo para apreciar o que faço ( e eu aprecio, Deus, acredite, eu aprecio, mas não é suficiente)... Eu sou demasiadamente sensível. Eu preciso estar um pouco desensibilizado para recuperar o entusiasmo que eu tinha quando criança... Eu não consigo superar a frustração, a culpa e a empatia que tenho por todos. Existe o bem em todos nós e acho que eu simplesmente amo as pessoas demais, tanto que me faz sentir demasiadamente triste. O pequeno triste, sensível, que não consegue apreciar, Peixes, homem Jesus. Porque você não aproveita simplesmente? Eu não sei!... E me aterroriza ao ponto no qual eu mal consigo funcionar. Eu não consigo suportar a idéia da Frances ( a filha dele com a Courtney Love) se tornar uma roqueira da morte, miserável e auto-destrutiva como eu me tornei... Obrigada a todos do poço de meu estômago ardente e nauseado pelas suas cartas e preocupação durante os últimos anos. Eu sou um bebê mal-humorado e errático! Eu não tenho mais a paixão, então, lembrem-se, é melhor se queimar rapidamente do que desvanecer..."

E ainda, entre outros, existem os casos do Michael Jackson, falecido ano passado, e do Elvis. Ambos de overdose de remédios controlados. (Anetoda rápida, Elvis foi nomeado por um presidente, que não lembro o nome, oficial honorário para o combate as drogas, hehehe...). E da ilustre Amy Winehouse, uma menina, que coincidentemente fará 27 anos agora em Setembro (todo mundo cruza os dedos aí!), que já teve overdoses homéricas (sério, reza a lendo que teve uma de cocaína, heroína, Special K, ecstasy e LSD, e a mulher sobreviveu, sabe-se lá como...)

Todos estes artistas, em minha opinião, têm em comum o talento extraordinário na área musical, seja na composição, seja na habilidade com instrumentos, seja no carisma para com o público, e todos precisavam de um refúgio do mundo construído em volta deles. Um mundo no qual eles já não eram mais artistas, e sim um produto. Não havia mais espaço para o desenvolvimento criativo, o que havia era a pressão de gravadoras, empresários, da imprensa, e mesmo dos fãs. Como se nota pelo bilhete de Kurt, a paixão, a 'raisonêtre' destes artistas foi afogada por uma indústria de precisão, automática, cujo o lado humano era secundário ou inexistente. Isto já é o bastante para atingir emocionalmente uma pessoa normal, mas estes artistas não tinham nada de normal, eram superdotados, ou pelo menos altamente inteligentes no campo musical.

A Janis tem uma frase na qual ela diz que ela podia não durar tanto quanto as outras cantoras, mas sabia que iria se destruir se se preocupa-se demais com o amanhã. Pela maior parte, estes artistas não se preocupavam com o sucesso comercial de suas carreiras (mas este era obviamente bem-vindo), mas como sua música era feita, o que ela queria dizer para eles mesmos e para seus fãs. Janis foi uma adolescente 'rebelde', não se encaixava nos moldes do lugar onde nasceu, se sentia deslocada, queria dizer algo, mas não tinha quem ouvisse. Como expressar algo para pessoas que você sabe que não vão lhe compreender, e quando ela finalmente achou quem a ouvisse, suas idéias foram deturpadas e esmagadas para caber em um molde pré-fabricado. Isto pode ser dito de quase todos os artistas citados. Elvis chegou a parar de fazer shows durante uma época, porque o público era tão grande que fugia ao controle. Jim Morrison teve um ataque ao saber que 'Light my Fire' (apesar das letras desta música não serem dele) foi autorizada a ser um jingle de comercial. A obra que tinha um significado pessoal, que vinha de suas idéias, de seu íntimo, que era uma forma de expressar seus pensamentos (o que já é tão difícil para um superdotado), se tornou algo fútil, incompreendido.

A incompreensão, a redução de significado, é algo que fere. O artista superdotado faz sua música para que seus pensamentos, normalmente amontoados, sobrepostos, conectados de forma muitas vezes desconhecida para as pessoas normais, transpareça, na esperança da identificação com o outro, de que aquilo faça alguém refletir sobre algo que normalmente não o faria. Óbvio que o aspecto do entretenimento é o mais focado, assim como deveria, mas é triste ver alguém cantarolando "The End" como se fosse uma baladinha de carnaval. A incompreensão leva à solidão, assim como a fama, o não saber dos motivos da aproximação das outras pessoas.

A questão da inteligência neste ponto também não diz respeito somente aos músicos. Todos os superdotados (pelo menos a maioria, creio eu), sabe a tempestade que existe em seu cérebro, a vontade de fazer tudo e mais um pouco, e saber que não há tempo humanamente possível para fazer tudo. É a chuva de idéias que temos a respeito de vários assuntos, a forma como conectamos eles, a desilusão de saber que quase sempre que abrimos a boca, e formos nós mesmo, vamos encontrar uma platéia vazia, ou desinteressada, ou mesmo antagônica e temerosa. É a raiva de termos que ter máscaras perante outros para que possamos nos encaixar em mundo que não nos compreende, e nem está disposto a tentar, e que as vezes nem estamos muito afim de participar de tal mundo, mas o cotidiano vem como um peso a cada dia, e a utopia de o nosso 'normal' ser aceito cai por terra toda vez.

A música destes artistas é o espelho de seus talentos, e muitas vezes a felicidade de ser finalmente ouvido é substituída por uma angústia sem fim. As drogas servem como uma válvula de escape. Mas não como a de um viciado comum que usa de forma recreacional e vê a droga como um fim em si mesma. Os superdotados usam as drogas para que 'as vozes parem'. Para fugir um pouco deste mundo frente ao qual nos vemos impotentes. Não estou glamorizando e nem apoiando o uso de drogas. Só acho que as coisas não são tão em preto e branco como muitas pessoas fazem parecer. "Drogas viciam, destroem, matam, acabam com a vida normal das pessoas". Sim, ok, drugs BAD, got it. Mas muitas vezes é a única forma de não querer por um fim em sua vida. É a única forma de 'emburrecer' um pouco para se encaixar no 'normal' padrão. Alguém já viu 'House M.D.' o seriado americano? É um ótimo exemplo, o cara teve um problema na perna, e se viciou em Vicodin, se não me engano, um opiáceo sintético. Além da bengala, ele usa o medicamento como uma 'muleta', com a desculpa de dores excruciantes, na verdade, sendo extremamente inteligente, o remédio é a única forma que ele encontra de escapar de tudo, óbvio que é ficção, mas existem sim, viciados funcionais.

As vezes a droga é um botão de 'pause' no cérebro, uma forma de sobreviver sem se ver preenchido de angústia, solidão, incompreensão, impotência, de não querer fugir para uma ilha deserta para fugir de tudo e de todos, é a maneira de criar no próprio cérebro a tal ilha. É um raciocínio que muitas pessoas não entendem. A mensagem é que as drogas matam e prejudicam qualquer pessoa, até de um jeito irreparável. Mas estas pessoas não possuem um tornado no cérebro, elas não se sentem sufocadas pelas inutilidades, perversidades, malefícios, pela falta de objetivo da vida em si no sentido existencial. Para elas é: acordar, trabalhar, assistir TV, dormir, as vezes sair no fim de semana, as vezes tirar férias, e pronto, uma vidinha embrulhado com um laço vermelho, não há uma preocupação maior em relação ao seu papel no mundo, em relação a como o mundo está todo errado, para elas está tudo certo. É assim porque assim é, não há o que fazer, aliás dificilmente há alguma consideração se se deve fazer algo.

Por exemplo, eu fumo (cigarros normais, ok?) desde os 14 anos. Faz mal? Jura? Dá câncer? Sério? Prejudica as funções pulmonares e o condicionamento físico? Mentira! Nunca li nada a respeito disto. Pode custar minha vida eventualmente? Sim, assim como atravessar a rua para ir na padaria. Sei que muita gente vai achar isto ridículo e ignorante. Mas é a MINHA forma de pensar, eu fumo porque gosto. É vício? Não sei, porque quando viajo com meus pais (que o-d-e-i-a-m cigarro) as vezes fico semanas sem fumar, e sem sentir falta. Eu prefiro sentir um prazer agora, do que me preocupar em prolongar minha vida sem, pessoalmente, ter um objetivo. Todo mundo vai morrer, eu prefiro em prestações de nicotina. Para mim é uma forma de relaxar, espairecer, como diz O. Wilde "são a forma perfeita de prazer: elegantes e insatisfatórios". Nota rápida: vocês tinha que ver a cara da minha mãe quando eu pedi para ela me dar de presente o livro "Cigarros são Sublimes" do Richard Klein, impagável hehehe...

O modo como o cérebro superdotado funciona pode gerar muita pressão no indivíduo, e de acordo com Douglas Eby do site Talent Develop: http://talentdevelop.com/3212/gifted-and-talented-drugs-and-alcohol/ " muitas pessoas talentosas usam drogas e álcool para se auto-medicar e assim aliviar humores como ansiedade ou depressão, ou para 'amortecer' o stress e a intensidade emocional que podem ser parte da alta sensibilidade."

"Um jeito que encontrei de lidar com a depressão e com a ansiedade, há mais de duas décadas, foi usar cocaína. Felizmente, eu superei o vício de três anos usando a terapia comportamental cognitiva."

"Muitas pessoas também usam várias substâncias para aprimorar o pensamento e a inspiração criativa. Ou ao menos tentam."

" Em seu artigo "Uma visão bioantropológica do vício", http://www.addictioninfo.org/articles/603/1/A-Bioanthropological-Overview-of-Addiction/Page1.html, Doris F. Jonas, Ph.D, e A. David Jonas, M.D. consideram que 'um sistema nervoso tão bem adaptado a perceber as mínimas mudanças nos sinais ambientais claramente se torna oprimido e produz disforia quando seu portador deve existir entre o estímulo social exponencialmente aumentado de um ambiente moderno'"

"Aqueles com um sistema nervoso menos sensível são, eles escrevem,'mais bem adaptados às nossas condições de vida mais aglomeradas. Os mais sensíveis podem somente tentar aliviar seu desconforto ao embotar suas percepções com álcool ou drogas depressoras ou, alternativamente, ao usar drogas que alteram a consciência para transportar seus sentidos do mundo disfórico no qual eles vivem para um mundo privado deles."

"Em seu livro 'A Pessoa Altamente Sensível', Elaine N. Aron Ph.D. comenta 'Não é surpresa que artistas se voltam para as drogas, álcool e medicamentos para controlar sua excitação ou para reconectar com seu interior. Mas o efeito ao longo-prazo é um corpo ainda mais desbalanceado,'"

"Em seu artigo 'Garota Erva', http://talentdevelop.com/articlelive/articles/1034/1/Weed-Girl/Page1.html, Belinda Housenbold Seiger, PhD, LCSW escreve sobre uma cliente sua que ela chama de 'Garota Erva' (N.d.T: Hahaha, clássico instantâneo) - que estava 'bastante convencida que ela era um grande fracasso e havia esquecido de todas suas qualidades'. Dr. Seiger continua: 'Assim como muitas pessoas superdotadas que escutam a mensagem dupla de 'Nossa! Você é tão esperta ou criativa ou talentosa.' juntamente com 'É muito difícil lidar com você', a 'Garota Erva' nunca aprendeu a lidar com sua mente ocupada e agitada. Ao invés de desenvolver as capacidades essenciais de lidar e gerenciar o que eu chamo de 'fúria de alcançar', muitos adultos superdotados crescem fazendo exatamente o que a 'Garota Erva' aprendeu a fazer, ou seja eles aprendem a desensibilizar e emburrecer sua paixão e sensitividade fumando maconha.'"

Por hoje é só pessoal... Depois continuo esse post (que já está em proporções bíblicas...)