sexta-feira, 9 de julho de 2010

Mais uma continuação do titio Heylighen...

Parte 5 do texto de Francis Heylighen (se estiver chato este texto que estou traduzindo me avisem, que parto para outro...)
Original disponível em:
http://pespmc1.vub.ac.be/papers/GiftedProblems.pdf

"Kathleen Noble, entrevistada por Douglas Eby

(...) O ponto de partida, declara a Dra. Noble , 'é sempre o auto conhecimento, que não é narcisismo. E para mulheres superdotadas, isto absolutamente inclui o reconhecimento da superdotação, porque a maioria das mulheres que são superdotadas, como você sabe, se acham excêntricas, e se sentem horrivelmente diferentes - isoladas, alienadas, excluídas, 'O que está errado comigo?' (...)
"A mudança tem que ocorrer em termos de evolução social e individual. A maioria das mulheres com quem eu trabalho que são superdotadas nega que o são, ou ficam completamente envergonhadas em admitir. Parece que estou sempre ensinando mulheres sobre as características da superdotação, e pedindo a elas para olhar para elas mesmas: 'Mesmo que você não queira admitir isto em voz alta porque você acha que é imodesto ou porque você se sente envergonhada, ao menos no fundo de seu coração admita sobre o que você lidando.'

(...)

A Dra. Noble sente que o isolamento parece ser uma questão comum para mulheres superdotadas. 'E parte da questão do isolamento tem a ver com introversão. Certamente não todas, mas eu diria que a maioria das mulheres superdotadas é introvertida. E a introversão por si mesma leva ao isolamento. Quando você é introvertida em uma cultura introvertida, existe uma maior aceitação; mas os EUA possuem uma cultura extrovertida. (N.d.T.: Obviamente este é uma entrevista feita nos EUA e que se refere à população americana, no entanto o Brasil é um país que possui uma cultura tão, ou provavelmente mais, extrovertida que os EUA, portanto o paralelo não é difícil de ser feito...) Ser introvertido em uma cultura extrovertida é tipo uma má sorte dupla. 'Portanto, junto com o entendimento sobre a superdotação, é importante entender sobre introversão, e saber que é um temperamento normal, e que elas realmente recebem sua energia da solidão. Então elas precisam desta solidão. Isto é saudável. Na verdade, não arranjar espaço para a solidão coloca as mulheres superdotadas em grave risco de desenvolver desde depressão até distúrbios alimentares, isto como meio de criar espaço pessoal suficiente, talvez totalmente inconscientes disto.

"Outra coisa que é parte da superdotação envolve uma consciência afetiva. Não cem por cento do tempo, mas muitas mulheres superdotadas possuem um radar intenso; elas são muito psíquicas, e isto pode intensificar a introversão, se você se afasta de multidões porque você sempre se sente crua, ou adquire muita energia. Portanto, se você possui este tipo de sensibilidade, você tem que honrá-la, e respeitá-la, e aprender como escolher essas energias que lhe nutrem e evitar aquelas que lhe drenam. É difícil. Estamos aprendendo o tempo todo."

" Em termos de encontrar amigos, você tem que entender que é difícil, e você terá que se esforçar. (...) A Internet está fornecendo os meios para encontrar e explorar relacionamentos. 'Isto é particularmente importante para mulheres em meios rurais.' nota a Dra. Noble. 'É um pouco mais fácil encontrar pessoas com os mesmos interesses se você está na cidade, ou se você está conectada a alguma universidade ou alguma 'fábrica de idéias'. É muito mais difícil se você está no mundo corporativo ou no mundo do varejo, ou em casa com crianças pequenas." (...)


Existe um número de qualidades que as mulheres superdotadas possuem que podem facilmente ser rotuladas erroneamente e mal diagnosticadas. Por exemplo, as mulheres superdotadas que são muito verbais muitas vezes recebem comentários de que elas falam demais. Bem, é verdade que muitas mulheres superdotadas falam muito. Algumas delas realmente falam demais, e não sabem ouvir bem. Mas eu já vi, particularmente em adolescentes, que as meninas superdotadas que possuem muita energia e são muito verbais são muitas vezes punidas por professores por estas qualidades, e estas qualidades então ficam representadas negativamente, ao invés de reconhecidas positivamente." (...)

Mulheres superdotadas tendem a combinar qualidades que nós tendemos a relacionar aos dois gêneros. Então, por exemplo, você tem mulheres que são altamente sensíveis e altamente
empáticas e compassivas (todos componentes da habilidade psíquica), combinado com altos níveis de energia e iniciativa, altos níveis de independência e autonomia, que são qualidades que a cultura recompensa em homens mas não em mulheres.

"Portanto de algumas formas, a patologização vem do fato que mulheres superdotadas, por sua própria natureza, não se encaixam nos papéis sociais de gênero tão estreitamente prescritos. E não somente em um país desenvolvido como os EUA, ou o Canadá, mas também em países em desenvolvimento, onde os papéis são geralmente ainda mais tradicionais."

Atitudes sociais criaram o que nós consideramos ser a normalidade. Então quando você fala de patologia, você está falando sobre o desvio do que é presumido ser a norma, e qualquer coisa que é remoto estatisticamente, ou diferente do que nós consideramos ser a norma, é rotulado como patologia ou 'ruim'." (...)

"Superdotação, per se, já foi muitas vezes descrita como patologia. Eu já tive vários clientes a quem foi dito que eles são 'sensíveis demais', 'empáticos demais', 'espertos demais', 'verbais demais'. Eu não consigo pensar em uma pessoa que já vi que não tenha sido patologizada, por ser 'demais' - e eu coloco isto entre aspas - todas essas coisas: 'dinâmico demais', 'com manias demais', 'introspectivo demais', 'intuitivo demais' - blah, blah, blah."

"Depende somente do cenário. Uma de minhas clientes é uma médica que é extremamente intuitiva: quando ela estava na escola de medicina, ela conseguia fazer diagnósticos dos quais ela ainda não possuía conhecimento suficiente para poder fazer, mas ela conseguia 'ler' o corpo. E, claro, o que o seus professores a disseram: 'Você é tão estranha.'"

"É por isso que eu acho que se uma pessoa, uma mulher superdotada, irá procurar ajuda de um terapeuta, a primeira coisa que ela tem que fazer é se educar sobre a superdotação. Isto é muito importante. E então ela tem que educar seu terapeuta sobre superdotação, porque muitos poucos médicos da área de saúde mental sabem algo sobre o assunto."

Comportamentos Associados com Superdotação (WEBB, 1993)

Falta de atenção, tédio, sonhar acordado em situações específicas.
Baixa tolerância à persistência em tarefas que parecem irrelevantes.
Julgamento é atrasado em relação ao desenvolvimento do intelecto.
Intensidade pode levar a luta de forças, confrontações com autoridades.
Alto nível de atividade; pode precisar de menos horas de sono (
N.d.T.: Hahahahaha, menos horas de sono!!! Minha mãe fala que eu estou em uma eterna fase de crescimento... Eu preciso de no MÍNIMO 9 horas de sono normalmente, se posso, durmo 12. Mas pode ser só que eu sou preguiçosa... Mas acho que é porque normalmente não tem nada interessante para fazer. Quando eu viajo, às vezes durmo 4 ou 5 horas durante vários dias, as vezes fico até sem dormir para aproveitar mais, e fico tranquila, não sinto necessidade de dormir mais e não fico nem cansada. Então acho que minha vida normal está entediante, portanto prefiro dormir, deve ser isso...)
Questiona regras, costumes e tradições.
Considera a situação e o cenário.
Na sala de aula, a visível inabilidade de uma criança superdotada de se manter concentrada, focar na tarefa, é provavelmente relacionada ao tédio, ao currículo, ao estilo de ensino mal adaptado, ou a outros fatores ambientais.

Crianças superdotadas podem passar de um quarto até metade do tempo regular de classe esperando os outros lhe alcançar - ainda mais se eles estiverem em uma classe agrupada de forma heterogênea. O seu nível específico de realização acadêmica é normalmente de duas a quatro classes acima da que estão colocadas. Estas crianças geralmente reagem às situações na classe que não as desafiam ou que progridem lentamente com falta de atenção, comportamento alheio à tarefa, interrupções ou outras tentativas de auto entretenimento.

Diagnósticos Equivocados dos Superdotados
por Lynne Azpeitia, M.A. e Mary Rocamora, M.A.

Indivíduos superdotados enfrentam vários desafios. Um deles é conseguir ser corretamente identificado por psicoterapeutas, e outros, como superdotado.
É bem conhecido entre pesquisadores dos superdotados, talentosos e criativos que estes indivíduos exibem maior intensidade e níveis elevados de excitabilidade emocional, imaginativa, intelectual, sensual e psicomotora e que isso é um padrão normal de desenvolvimento. É porque estes adultos e crianças superdotadas possuem uma estrutura psicológica primorosamente afinada e uma consciência organizada que eles experienciam todos os aspectos da vida de forma diferente e mais intensamente que aqueles a sua volta.

Estas características, entretanto, são frequentemente percebidas por psicoterapeutas e outros como evidência de perturbação mental porque faltam à maioria da população informações precisas sobre as características especiais dos indivíduos, casais e famílias superdotadas. A maioria das pessoas não sabe que o que é considerado normal para os superdotados é geralmente rotulado de neurose na população geral e que como resultado, os superdotados são pessoalmente e emocionalmente vulneráveis a uma variedade de dificuldades de relacionamento única em casa, no trabalho, na escola e na comunidade.

Visto que os superdotados funcionam com relativamente altos níveis de intensidade e sensibilidade, quando eles procuram terapia são frequentemente diagnosticados de forma errada porque os terapeutas não recebem treinamento especializado para a identificação e tratamento de pessoas que possuem padrões de desenvolvimento complexos e avançados.

A avaliação terapêutica de pessoas superdotadas com desenvolvimento assíncrono, elevados níveis de consciência, energia e resposta emocional, e um intenso nível de confusão interna geralmente resulta em sua transição de desenvolvimento sendo indevidamente rotulada de distúrbio de personalidade ou de atenção. Histriônico, disrítmico, ciclotímico, borderline, narcisista, TDAH (Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) ou DDA (Distúrbio do déficit de atenção) são alguns dos rótulos diagnósticos erroneamente usados para descrever estágios normativos da desintegração positiva.

Os resultados destes tipos de diagnósticos equivocados podem abranger desde negligência benigna às estratégias de aconselhamento equivocadas que invalidam e tentam 'normalizar' o complexo processo interno dos superdotados. Quando diagnosticados erroneamente os clientes superdotados são prescritos medicações que suprimem os 'sintomas da superdotação', existe o perigo de que a maravilhosa fúria interna do processo da superdotação seja neutralizada, assim minimizando o potencial para uma vida de realizações e satisfações. Como resultado, aqueles que têm mais a oferecer à sociedade são os menos prováveis a ter suas necessidades terapêuticas atendidas.

Para os superdotados, conflitos internos são sinais desenvolvimentais e não degenerativos, porque conduzem a pessoa superdotada para frente para substituir os modos de pensar e de estar atuais por aqueles de níveis de desenvolvimento elevado. Este tipo de desintegração positiva é caracterizado por uma tensão interna intensificada entre o que ele é e o que ele pode ser. Esta tensão dinâmica é o que abastece a vida interna da pessoa criativa e provê o ímpeto para crescimento e desenvolvimento. Qualquer terapeuta que trabalha com a população superdotada deve ser familiarizado com estes processos internos, que são utilizados para desenvolver potencial avançado - de outra forma, o terapeuta arrisca infligir maiores danos psicológicos.

Quando trabalhando com um superdotado, o terapeuta deve adereçar as seguintes questões intrapessoais: o estresse interno de ser superdotado; o trauma emocional do desenvolvimento rápido; os efeitos da introversão, intensidade, perfeccionismo e sensibilidade extraordinária sobre si mesmo e outros; o reconhecimento dos sintomas de compromisso mental insuficiente; a importância da interação com outras pessoas superdotadas, e de canalizar e focar uma abundância de energia física, sensual, intelectual e emocional.

Desafios interpessoais únicos que indivíduos, casais e famílias superdotadas encontram durante suas vidas incluem aprender a interagir no mundo mainstream; gerenciar expectativas e pressões para se ajustar à norma; neutralizar hostilidade, ressentimento, antagonismo e sabotagem inconscientes direcionadas a eles porque eles são percebidos como favorecidos intelectualmente, criativamente ou pessoalmente; criar limites apropriados para o uso de suas habilidades
(N.d.T.: Quem vê, acha que nós temos super poderes né? "Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades". Pois é, estou esperando meu jato de teia até hoje...); colaborar com outros, e gerenciar os dilemas diários da superdotação envolvendo parentes, chefes, colegas de trabalho, vizinhos, orientadores, professores e outros membros da comunidade.

11 comentários:

  1. Estou na fila do jato de teia!
    Esse texto me emocionou, revi a minha vida em minutos.

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  2. Ando pesquisando sobre superdotados, mas nunca pensei em focar na questão de ser mulher e superdotada. Acabei de perceber que a dificuldade de me relacionar de verdade com pessoas "normais" é maior que eu pensava.
    Eu criei uma persona e acredito que todas as superdotadas foram obrigadas a fazer o mesmo. "Domo" minha angústia existencial com remédios pra depressão e ansiolíticos, fiz terapia a vida toda. Converso sobre oque as pessoas querem conversar, quase nunca sobre oque eu quero.Só sou autêntica e sinto prazer em conversar com minha irmã, superdotada também, mas que mora do outro lado do mundo. Nunca conheci outros superdotados.Nunca fiquei sozinha e sempre estive sozinha. Eu (ou minha persona)fui casada, estou quase casando outra vez, tenho um filho maravilhoso, um emprego "vitalício". Era para ser feliz, não era? Lí sobre uma expressão "faking bad" , que significa, mais ou menos, esconder seu potencial para não virar eremita. Isso é solitário, é triste e difícil. Por isso, pela dificuldade de compartilhar e expandir pensamentos e idéias com as outras pessoas, só na solidão (física) um superdotado consegue ser, pensar. Não pensar para um superdotado é quase como não comer: mata...

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  3. Não vejo alguma razão séria a fim de conversar de superdotação, pois tal conceito é bastante formal, imaterial, teorético.

    Ainda assim, como sou muito benevolente, eis o que penso, em linhas gerais e sucintas, a propósito da conhecida superdotação.

    Penso não ser plausível detectar uma pessoa com altas habilidades, postulando a existência de tais habilidades, é claro, senão praticamente e depois de muito, muito trabalho. Ainda sendo desse jeito, há, sim, a verossimilhança de se estar enganado. Entendem?

    Logo. - Importa mesmo é o que fazemos com o cérebro que temos. (Eis algo muito valoroso, né?). Conheço bastantes pessoas superiores, sequer aparentemente, a mim intelectualmente as quais nunca leram um livro de Física ou Literatura, coisas que muito me agradam, tampouco sequer logram comunicar-se bem, humanamente. Gosto de ler e penso que, caso tais humanos sejam de verdade melhores que eu no respectivo ao intelecto, então, - não o são, a rigor! Ou seja, É muito vago e abstrato falar de inteligência e, genericamente, do bicho humano.

    Não espero haver ajudado alguém com esse parco texto. Escrevi isso unicamente em razão de ter notado que as pessoas aqui, tão vaidosas, estão olhando para si mesmas e vendo seres maravilhosamente superdotados. Que coincidência, hein? Penso que não o sejam. Ai: como sou rude; ui!

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    1. Realmente é interessante... Estou lendo o blog há umas duas horas e esse era o último post e os últimos comentários e de repente me deparo com o comentário do Sr Anônimo. Algumas palavras bonitas, usadas mais ou menos como jóias no corpo das cocotas que namoram o chefe do tráfico. Se ainda restava alguma dúvida de identificação (e restava...)acho que exemplos como do Sr. Anônimo só servem para corroborar as diferenças.
      Repito: é interessante. As diferenças podem ser detectadas em diversos níveis: no uso das palavras, concordância, sentido das frases e algo mais profundo e sutil, que se refere à compreensão das idéias.
      Infelizmente é com esse tipo de discurso que me deparo as vezes e creio que alguns aqui compartilhem desta mesma experiência quando ousam se expor um pouco mais.
      Muito legal que exista este blog!

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  4. kkkkkkk típico em esse anônimo, muito bom vir aqui e encontrar vários levels de desenvolvimento de A/H nas pessoas hahah adoroooooooo hahahahahah

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  5. Esse cara "AnônimoDec 19, 2010 08:46 AM" É um dos caras mais ridículos que eu já "encontrei" na minha vida. Usa de palavras 'especiais' em tópicos frasais, na tentativa de se passar por culto, e verdadeiramente, (me desculpem), que lixo você é em "amigo". Você mal entende do que fala, ridículo 1000x pra você cara. Como você posta algo que nem entende? Ridículo... que raiva!

    Outra coisa, você se senti inferiorizado, diminuido por dentro, os voos aqui são mais altos! E saiba algo... quem é portador de altas habilidades, mesmo mantendo niveis de humildade diferentes, acaba sendo melhor no que faz, pensa e sente. Você aceitando ou não a realidade é essa.

    Ve se aprende a ser uma pessoa melhor, e faz alguma coisa decente pro mundo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  6. Pessoal, por favor... Tenho uma duvida... Estou apaixonada por uma pessoa genial, com uma inteligencia fora do comum... Mas percebo q muitas vezes ele se afasta, fica entediado se desinteressa... Eu não mudo sou a mesma pessoa, gosto muito dele... Mas não sei como agir com esses altos e baixos, nos conhecemos a poucos dias... Ele é um genio!!! Me ajudem, o q eu faço?

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    1. Anônima, tudo que você relatou é comum: ele ficar entediado, você ficar insegura sem saber o que fazer, ele querer ficar na dele...
      Primeira coisa: não se preocupe! Como disse, muitas vezes é assim que acontece. As pessoas que se diferenciam na forma de pensar muitas vezes se frustram por não encontrarem eco para suas ideias, se sentem diferentes e se percebem diferentes dos outros. É difícil saber lidar com isso.
      Então a reação de se afastar as vezes é para ficar consigo, refletir sobre alguma coisa que ele sabe que se compartilhar com outras pessoas é mais provável que elas rejeitem, talvez por não conseguirem acompanhar o pensamento mais profundo dele. O ato de se afastar e ficar só outras vezes é tão somente fruto de uma concentração muito grande em um tema de interesse. Não raro essas pessoas viram a noite pesquisando alguma coisa que despertou sua curiosidade, deixando inclusive de interagir com os outros, pois isso pode ser num sábado a noite, no dia de uma festa, etc.
      O fato de ficar entediado as vezes também é o reflexo desta incompreensão. Se você tem alguma fé, tente convencer algum ateu que é melhor acreditar em deus( ou se você não tem crença tente convencer um religioso). haverá um divergência de ideias devido a uma visão de mundo e uma compreensão de como são as coisas, diferentes. Agora imagine se você é a única que acredita (ou não acredita) em alguma coisa, você irá falar com os outros e irá parecer que ninguém entende o seu ponto de vista, que é você que está errada. Muitas vezes é assim que um portador de altas habilidades se enxerga: como alguém que tem uma visão única sobre alguma coisa. Enquanto ele não se entender como diferente e algumas vezes até mesmo depois disso, ele entrará em um dilema: (o que para essas pessoas é mais comum que para os demais porque eles pensam muito e se questionam o tempo todo) Será que todos estão certos e eu é que não entendi alguma coisa. (Essa é uma opção difícil de aceitar internamente pois ele é acostumado a saber mais que os outros e entender melhor e mais profundamente o mundo.) Ou será que eu estou certo e todo mundo está errado (então como eu irei convencer a todos, o que eu posso fazer, será que estou sendo muito arrogante em pensar assim, será isso mesmo?) Difícil também.
      Outras vezes o tédio vem do excesso de interesse. Parece complicado de entender? Entre no Amazom e tente escolher um modelo de lanterna, você terá 18.000 opções! Não seria mais fácil entrar na lojinha da esquina e compra um dos 3 disponíveis? É assim a mente de pessoas que pensam muito e tem várias ideias, são criativas e enxergam o tempo todo inconsistências e coisas erradas onde ninguém mais enxerga. Por onde eu começo? O que eu faço? Largo tudo e vou fazer isso? Não, espere, acabo de conhecer aquilo, será que é mais interessante? Será que vale mais a pena? Ahf, não sei o que eu faço, que frustante....
      Uma das melhores coisas que você pode fazer por ele e que o fará se sentir compreendido por você é estimulá-lo a se relacionar com outros como ele (a internet com blogs, youtube, etc é um bom caminho para achar outros com as mesmas características), estimulá-lo com os próprios projetos mas ajudando-o a manter um pé no chão. Para essas pessoas é difícil ter o pé no chão e uma referência é sempre bem vinda.

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    2. Nunca se sinta menos inteligente perto dele, não é o caso e ele sabe disso. Talvez ele tenha competência em algumas coisas e você em outras, mas não pode haver uma certa idolatria de sua parte em relação a inteligência dele. Afinal outras coisas como esta do pé no chão podem ser muito difíceis para ele e fáceis para você, então não subestime a ajuda que você pode dar e não ache que a genialidade dele é uma barreira entre vocês. Ela pode ser usada para a compreensão, para encontrar a melhor maneira de resolver os conflitos e se relacionar.
      Por último não se preocupe demais se às vezes ele se afasta, talvez ele goste de ir para o mundo dele de vez em quando, isso não quer dizer que não goste de você ou esteja mais interessado em outras coisas(bem, momentaneamente pode estar mas logo ele volta). Essas pessoas precisam deste espaço.
      Beijos e boa sorte com ele.
      P.S. se ele é muito inteligente vai ter a sensibilidade de perceber que você gosta muito dele do jeito que ele é, com todas as manias e diferenças e as vezes é deste tipo de coisa que ele mais precisam.

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  7. Faz pouco que descobri que sou superdotada, cheguei a pensar que eu tinha TDAH, sem o H, rsrs
    Escrevi sobre o período emque ocorreu essa descoberta em www.vidaedisciplina.com
    Faz pouco que descobri o fato e estou aprendendo sobre isso, mas faz muito sentido pra mim.
    Gostei desse blog. Muito esclarecedor.
    TKS

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  8. Eu vivo bem com meu novo conceito. Porém no anonimato. Sei que posso ser melhor em tudo que quiser fazer, porém o que me atrapalha é ansiedade e depender dos outros para conseguir realizar meus projetos, pois até as pessoas chegarem onde eu quero na questão do raciocínio demora e eu na maioria das vezes tenho que ceder e ter paciência e até deixar as pessoas fazerem as coisas do seu geito até ver que está errada. Outra coisa que me angústia bastante é a vontade de fazer mil coisas. Tenho 35 anos e tenho a sensação que tô perdendo tempo, pois me formei e pedagogia, mas vivo entrando em outras áreas como desenho, medicina, dança, arquitetura, direito, tecnologia, psicologia, meteorologia, história até ser investigadora. Kkk. Isso me atormenta pois queria viver várias vidas para ter todas as profissões. Acho que as pessoas ao meu redor não sabem, mas fico tranquila a esse respeito, aproveito meus talentos da melhor forma e sempre tento ajudar as pessoas. Eu digo que dinheiro eu não tenho mas se precisar de ajuda em qual campo do conhecimento pode contar comigo!

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